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Teca Calazans & Heraldo do Monte Intérprete(s) Principal(is):
Teca Calazans
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Heraldo do Monte
Compositor(es) Principal(is):
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KCD175
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Dois pernambucanos “no exílio” - Teca Calazans (em Paris) e Heraldo do Monte (em São Paulo) - gravam no Rio seu primeiro CD juntos. Um disco minimalista, só os dois, num clima de cumplicidade e beleza melódica, onde sucessos dos anos 30 se juntam a achados de Sinhô, Meira, João Chaves, Laurindo de Almeida e Jackson do Pandeiro, além de clássicos e pérolas colhidas de Elomar, Jararaca e Alvarenga & Ranchinho.
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| Ficha Musical |
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Teca Calazans (canto, pandeiro e triângulo) Heraldo do Monte (viola nordestina e violão)
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| Ficha Técnica |
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Produzido por Teca Calazans e Mario de Aratanha Projeto artístico de Teca Calazans Arranjos e direção musical de Heraldo do Monte Gravado, mixado e masterizado por Sérgio Lima Netto, entre agosto de 2002 e fevereiro de 2003, no estúdio On-Axis, Araras, RJ.
Projeto gráfico: Janine Houard Fotos: Paulo Muniz (Teca/capa) e Lívio Campos (Heraldo/capa e todas contracapa)
Agradecimentos: Philippe Lesage, Lourdes do Monte, Simone Lima Netto, Jairo Severiano, Nirez, Túlio Feliciano,Tarcísio Gondim, Christophe Henaut e Alexis do Art & Son Studio, Paris. |
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| Apresentação |
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A vontade de fazer um disco só de voz e violão é antiga. A idéia tomou forma quando ouvi o disco do Heraldo lançado pela Kuarup no ano passado. Perguntei ao Mario de Aratanha o que ele achava dessa idéia. Ele gostou, falou com Heraldo, e assim começamos a trabalhar no projeto.
Sou fã do Heraldo desde a época do "Quarteto Novo". Além da música, temos outras coisas em comum: ele é um Pernambucano exilado em São Paulo, eu Pernambucana - de coração - exilada na França. Temos os dois a mesma visão "distanciada" do Nordeste e a mesma necessidade de ir direto ao essencial.
Eu já tinha mais ou menos um repertório selecionado. Canções nordestinas e sertanejas, melodicamente ricas, que pela pureza e simplicidade encontrariam no simples acompanhamento da viola, um rendimento total. O Heraldo com o talento que é proprio dos grandes músicos fez arranjos que pessoalmente, acho lindos e eficientes. O conceito do disco ficou entre o Nordeste e o rural. Para completar o repertório fui pesquisar nos anos 30, canções de tema "rural". A escolha foi fácil, pois a beleza melódica é uma das caracteristicas dos compositores da época. Assim o repertório ficou perfeito para essa formação minimalista.
O que mais gostei, foi o clima de cumplicidade criado entre nós na gravação, e também, a torcida positiva das pessoas que estavam presentas no estúdio - Lourdes, Philippe, Simone, Sérgio e Mario, nosso produtor. O que seria de mim se não tivesse o chá de melissa que Simone fazia com carinho todos os dias? É claro que tudo isso contibuiu para o reseultado final do disco.
Teca Calazans
Sobre o repertório:
ÚLTIMO PAU DE ARARA. Obra prima sobre a migração nordestina, cantada num andamento lento e expressivo.
GUACYRA é uma das mais bonitas canções do gênero, da dupla Heckel Tavares, maestro de Alagoas, e Joracy Camargo, dramaturgo e letrista carioca.
O PIDIDO. Canção do Auto da Catingueira, de Elomar, retrato de um universo cultural único.
CATIRINA: Na dupla com Ratinho, Jararaca era mais conhecido por sua atuação cômica que como compositor. Mas no entanto, que compositor! Escutei esse rojão no CD do SESC de São Paulo, organizado pelo Pelão. O Jackson do Pandeiro conta no CD que ouviu Catirina em Campina Grande no tempo de menino, muito antes de gravar. Assim, Catirina foi o primeiro rojão gravado no Brasil.
AMO-TE MUITO. É uma modinha rural do Norte de Minas. Foi composta há quase 100 anos pelo advogado e poeta João Chaves, maior seresteiro de Montes Claros.
CASAMENTO. Da época da dupla Teca e Ricardo. O estribilho eu tirei de um côco que recolhi em Santo Amaro, Recife, há muitos anos…
FALANDO AO SEU RETRATO. Ouvi essa canção que adoro cantada por Augusto Calheiros. O compositor Meira foi também um pernambucano exilado no Rio.
MINHA SAUDADE. Canção sertaneja do famoso violonista Laurindo de Almeida. A gravação original é de Aracy de Almeida.
CHEQUERÊ. Composição da fase rural do compositor, da mesma época de Acauã.
NO TRONCO DA AMENDOEIRA. Originalmente um "batuque amaxixado" de Patrício Teixeira, cunhado de Pixinguinha. Tem o sabor ainda rural do Rio antigo.
VIOLEIRO TRISTE. Pérola da melhor música sertaneja, sua gravação original é mais rápida e nas têrças típicas das duplas caipiras.
SECRETÁRIA DO DIABO. Eu canto essa música desde 1986. Nos shows ela faz o maior sucesso, mas esta é a minha primeira gravação. Ela foi imortalizada por Jackson do Pandeiro.
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| Letras |
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Último Pau de Arara 3’51 GRA12345678 (Venâncio, Corumba, J.Guimarães)
A vida aqui só é ruim Quando não chove no chão Mas se chover dá de tudo Fartura tem de porção Tomara que chova logo Tomara, meu Deus tomara Só deixo o meu Cariri No último Pau de Arara
Enquanto a minha vaquinha Tiver o couro e o osso E puder com o chocalho Pendurado no pescoço Eu vou ficando por aqui Que Deus do Céu me ajude Quem sai da terra natal Em outros campos não pára Só deixo o meu Cariri No último Pau de Arara
Guacyra 2’16 GRA12345678 (Heckel Tavares, Joracy Camargo)
Adeus Guacyra meu pedacinho de terra Meu pé de serra Que nem Deus sabe onde está Adeus Guacyra onde a lua pequenina Não encontra na colina Nem um lago pra se olhar Eu vou me embora Mas eu volto nestes dias Virgem Maria tudo há de permitir E se ela não quizer Eu vou morrer cheio de fé, Pensando em ti
O Pidido 3’24 GRA12345678 (Elomar)
Já qui tu vai lá prá fêra Traga di lá para mim Agua da fulô que chera Um nuvelo e um carrim Trais um pacote de misse Meu amigo ah se tu visse Aquele cego cantadô! Um dia ele me disse Jogando um mote de amô Que eu havera de vivê Pur esse mundo E morrê ainda em flô
Passa naquela barraca Daquela mulé reizera Onde almoçamo paca Panelada e frigidera Inté você disse ua loa Gabano a boia boa Que das casa da cidade Aquela era a primera Trais pra mim uas brevidade Qui eu quero mata a sôdade Faz tempo qui fui na fêra Ai sôdade...
Apois sim vê se num isquece Quinda nessa lua cheia Nos vai brincá na quermesse Lá no Riacho d'Arêa Na casa daquele home Feitecero e curadô Que o dia intero é home Filho de Nosso Sinhô Mas depois da meia noite É lubisome cumedô Dos pagão que as mãe esqueceu Do batismo salvadô E tem mais dois garrafão Com dois canguin responsadô
Apois sim vê se num isquece De trazê ruge e carmim Ah se o dinheiro desse! Eu quiria um trancilin E mais treis metro de chita Que é preu fazê um vistido E ficá bem mais bonita Qui Madô de Juca Dido Qui Zefa de Iô Joaquim
Já que tu vai lá prá fêra Meu amigo trais Umas coisinhas para mim...
Catirina 3’00 GRA12345678 (Jararaca)
Catirina, cadê teu anelão? Alfinete de ouro, correntão? Catirina, cadê teu anelão? Alfinete de ouro, correntão?
Catirina usava um trancelim Uma saia rodada com babado Punha oriza cheirosa no cabelo E chamava atenção do povoado E na feira, na festa onde ela estava Todo povo a ela perguntava: Catirina, cadê …
Catirina era filha lá da serra E nasceu por detrás do chapadão Onde ela chegava endoidava Os caboclos vaqueiros do sertão E cantando, sambando onde ela estava, todo povo a ela perguntava: Catirina, cadê …
Catirina batia no zabumba E tocava viola e ganzá Ela era o prazer, a alegria No recanto, na vila, no arraiá Já velhinha, por onde ela passava Todo o povo, baixinho perguntava: Catirina, cadê …
Amo-te Muito 4’13 GRA12345678 (João Chaves)
Amo-te muito como as flores amam E o orvalho que infinito chora Amo-te como o sabiá-de-praia Ama a sanguina e deslumbrante aurora
Oh, não te esqueça Quem te ama assim Oh, não te esqueça Nunca mais de mim (bis)
Amo-te muito como a onda a praia A praia a onda que a vem beijar Amo-te tanto como a branca pérola Ama as entranhas do infinito mar Oh, não te esqueça…
Amo-te muito como a brisa aos campos Vão para a lua derramando luz Amo-te tanto como ama o morro E Cristo adora ardente a cruz Oh, não te esqueça…
Casamento 2’43 GRA12345678 (Teca Calazans, Ricardo Vilas)
Faz quinze dias que acabei meu casamento Havia muito que o nosso amor foi embora (bis) Tão cedo agora, não quero mais namorado O que eu dei, não quero nada, (bis) E a aliança jogue fora
Tanto tempo eu andei longe Tropeçando e procurando Em todo lado te encontrar Hoje já não corro e vejo Que a maré não anda boa Teu amor faz machucar Com o tempo tudo passa Tanto a dor quanto a desgraça Fique descansado Moreno como é que eu posso Me afastar de quem eu gosto Um dia desse eu volto
Falando ao seu retrato 2’50 GRA12345678 (Meira, DeChocolate)
Na ilusão de um novo amor Deixas-te o nosso lar Enquanto louca sonhadora Busquei-te sem cessar Voltando ao lar abandonado Apaixonada eu juro sem querer chorei E ao ver o seu retrato amado Num desvario louco Tudo lhe falei Contei-lhe então que tu partiste Me deixando triste na desilusão E o retrato amigo Disse a chorar comigo Que tu não tens mais coração Formoso o teu retrato insiste Em me fazer mais triste Nesta solidão Dizendo que o meu peito Em dor vive desfeito Porque não tens mais coração.
Minha Saudade 3’13 GRA12345678 (Laurindo de Almeida)
Sinto uma saudade de você E do rancho de sapê Minha viola não mais geme Que maldade! Choro tristemente esta saudade
Meu Deus quero a minha liberdade Estou farta da cidade Quero a lua e o meu sapê Quero conviver com a natureza Quero frente tal beleza Ser menor que não sei que … Quero rever minha jangada Meu cavalo pela estrada Meu sonoro violão E o caboclo que eu amo E não esqueço Então darei descanso ao coração
No Tronco da Amendoeira 3’32 GRA12345678 (Patricio Teixeira)
No tronco da amendoeira, tem Seu nome gravado, tem O dia marcado, Oi Que eu te encontrei meu bem
É sob a Amendoeira Que me esperas todo dia Quando a tarde vai caindo Ao soar da Ave Maria Minha alegria é te ver Sempre a meu lado Debaixo da Amendoeira Como eterno namorado
Chequerê 3’12 GRA12345678 (Sinhô)
Não calculas como sofre O meu pobre coração Por faltar o teu carinho Junto de meu violão
E assim é tudo enfim Meu doce chequerê Mas eu não me conformo Viver longe de você
Vem depressa sem demora Pra eu não mais viver em vão Que as saudades já são tantas Dentro do meu coração
Violeiro triste 4’08 GRA12345678 (Alvarenga e Ranchinho)
Canta, canta bentivi Pra mim ouvir Canta, canta sabiá Pra me consolá Que a tristeza e a sodade Tão me fazendo chorar
Tem uma viola Que nas noite de luar Quando pego a pontear Chora inté os passarinhos E quando a lua, lá no céu Me vê sozinho Põe a sua luz prateada Clareando o meu ranchinho
Canta, canta bentivi Pra mim ouvir Canta, canta sabiá Pra me consolá Que a tristeza e a sodade Tão me fazendo chorar
Aqui na mata Tenho tudo que eu quero Tenho o canto do bodero Tenho o céu e a natureza E quando a lua vem saindo Que beleza Só me falta um amor Pra matar minha tristeza
A Secretária do Diabo 2’16 GRA12345678 (Oswaldo Oliveira, Reinaldo Costa)
O diabo quando não vem Manda o secretário Eu não vou nessa canoa Que eu não sou otário
Eu reconheço que ela é muito boa Mas não vou nessa canoa Que dá confusão Quando ela passa Provocando um desafio Sinto logo um arrepio No meu coração. Não vou na onda Nem no conto do vigário O diabo quando não vem Manda sempre um secretário.
O diabo quando não vem…
Quando ela chega na repartição É aquele rebuliço É aquela confusão Dá um sorriso e se senta na cadeira Mas de uma tal maneira Que eu vou te contar Não vou na onda Nem no conto do vigário O diabo quando não vem Manda sempre um secretário. |
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