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CD
 
Teca Calazans & Heraldo do Monte
Intérprete(s) Principal(is): Teca Calazans - Heraldo do Monte
Compositor(es) Principal(is):
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R$ 20.00
KCD175
 
Dois pernambucanos “no exílio” - Teca Calazans (em Paris) e Heraldo do Monte (em São Paulo) - gravam no Rio seu primeiro CD juntos. Um disco minimalista, só os dois, num clima de cumplicidade e beleza melódica, onde sucessos dos anos 30 se juntam a achados de Sinhô, Meira, João Chaves, Laurindo de Almeida e Jackson do Pandeiro, além de clássicos e pérolas colhidas de Elomar, Jararaca e Alvarenga & Ranchinho.
Faixas
Ficha Musical
Ficha Técnica
Apresentação
Letras
 
 
Faixas:
 
KCD175 - Teca Calazans & Heraldo do Monte Tempo Total: 39:38
01 Último pau-de-arara (Corumbá/ Venancio/ José Guimarães) 04:51
02 Guacyra (Joracy Camargo) 02:16
03 O Pidido (Elomar) 03:24
04 Catirina (Jararaca) 03:00
05 Amo-te muito (João Chaves) 04:13
06 Casamento (Teca Calazans/ Ricardo Vilas) 03:43
07 Falando ao seu retrato (De Chocolat) 03:50
08 Minha saudade (Laurindo de Almeida) 03:13
09 No tronco da amendoeira (Patrício Teixeira) 04:32
10 Chequerê (Sinhô) 03:12
11 Violeiro Triste (Alvarenga/ Ranchinho) 04:08
12 Secretária do Diabo (Oswaldo Oliveira/ Reynaldo Costa) 02:16
 
 
Ficha Musical
 
 
Teca Calazans (canto, pandeiro e triângulo)
Heraldo do Monte (viola nordestina e violão)
 
 
 
Ficha Técnica
 
 
Produzido por Teca Calazans e Mario de Aratanha
Projeto artístico de Teca Calazans
Arranjos e direção musical de Heraldo do Monte
Gravado, mixado e masterizado por Sérgio Lima Netto, entre agosto de 2002 e fevereiro de 2003, no estúdio On-Axis, Araras, RJ.

Projeto gráfico: Janine Houard
Fotos: Paulo Muniz (Teca/capa) e Lívio Campos (Heraldo/capa e todas contracapa)

Agradecimentos: Philippe Lesage, Lourdes do Monte, Simone Lima Netto, Jairo Severiano, Nirez, Túlio Feliciano,Tarcísio Gondim, Christophe Henaut e Alexis do Art & Son Studio, Paris.
 
 
 
Apresentação
 
  A vontade de fazer um disco só de voz e violão é antiga. A idéia tomou forma quando ouvi o disco do Heraldo lançado pela Kuarup no ano passado. Perguntei ao Mario de Aratanha o que ele achava dessa idéia. Ele gostou, falou com Heraldo, e assim começamos a trabalhar no projeto.

Sou fã do Heraldo desde a época do "Quarteto Novo". Além da música, temos outras coisas em comum: ele é um Pernambucano exilado em São Paulo, eu Pernambucana - de coração - exilada na França. Temos os dois a mesma visão "distanciada" do Nordeste e a mesma necessidade de ir direto ao essencial.

Eu já tinha mais ou menos um repertório selecionado. Canções nordestinas e sertanejas, melodicamente ricas, que pela pureza e simplicidade encontrariam no simples acompanhamento da viola, um rendimento total. O Heraldo com o talento que é proprio dos grandes músicos fez arranjos que pessoalmente, acho lindos e eficientes. O conceito do disco ficou entre o Nordeste e o rural. Para completar o repertório fui pesquisar nos anos 30, canções de tema "rural". A escolha foi fácil, pois a beleza melódica é uma das caracteristicas dos compositores da época. Assim o repertório ficou perfeito para essa formação minimalista.

O que mais gostei, foi o clima de cumplicidade criado entre nós na gravação, e também, a torcida positiva das pessoas que estavam presentas no estúdio - Lourdes, Philippe, Simone, Sérgio e Mario, nosso produtor. O que seria de mim se não tivesse o chá de melissa que Simone fazia com carinho todos os dias? É claro que tudo isso contibuiu para o reseultado final do disco.

Teca Calazans


Sobre o repertório:

ÚLTIMO PAU DE ARARA. Obra prima sobre a migração nordestina, cantada num andamento lento e expressivo.

GUACYRA é uma das mais bonitas canções do gênero, da dupla Heckel Tavares, maestro de Alagoas, e Joracy Camargo, dramaturgo e letrista carioca.

O PIDIDO. Canção do Auto da Catingueira, de Elomar, retrato de um universo cultural único.

CATIRINA: Na dupla com Ratinho, Jararaca era mais conhecido por sua atuação cômica que como compositor. Mas no entanto, que compositor! Escutei esse rojão no CD do SESC de São Paulo, organizado pelo Pelão. O Jackson do Pandeiro conta no CD que ouviu Catirina em Campina Grande no tempo de menino, muito antes de gravar. Assim, Catirina foi o primeiro rojão gravado no Brasil.

AMO-TE MUITO. É uma modinha rural do Norte de Minas. Foi composta há quase 100 anos pelo advogado e poeta João Chaves, maior seresteiro de Montes Claros.

CASAMENTO. Da época da dupla Teca e Ricardo. O estribilho eu tirei de um côco que recolhi em Santo Amaro, Recife, há muitos anos…

FALANDO AO SEU RETRATO. Ouvi essa canção que adoro cantada por Augusto Calheiros. O compositor Meira foi também um pernambucano exilado no Rio.

MINHA SAUDADE. Canção sertaneja do famoso violonista Laurindo de Almeida. A gravação original é de Aracy de Almeida.

CHEQUERÊ. Composição da fase rural do compositor, da mesma época de Acauã.

NO TRONCO DA AMENDOEIRA. Originalmente um "batuque amaxixado" de Patrício Teixeira, cunhado de Pixinguinha. Tem o sabor ainda rural do Rio antigo.

VIOLEIRO TRISTE. Pérola da melhor música sertaneja, sua gravação original é mais rápida e nas têrças típicas das duplas caipiras.

SECRETÁRIA DO DIABO. Eu canto essa música desde 1986. Nos shows ela faz o maior sucesso, mas esta é a minha primeira gravação. Ela foi imortalizada por Jackson do Pandeiro.
 
 
 
Letras
 
 
Último Pau de Arara 3’51 GRA12345678
(Venâncio, Corumba, J.Guimarães)

A vida aqui só é ruim
Quando não chove no chão
Mas se chover dá de tudo
Fartura tem de porção
Tomara que chova logo
Tomara, meu Deus tomara
Só deixo o meu Cariri
No último Pau de Arara

Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho
Pendurado no pescoço
Eu vou ficando por aqui
Que Deus do Céu me ajude
Quem sai da terra natal
Em outros campos não pára
Só deixo o meu Cariri
No último Pau de Arara


Guacyra 2’16 GRA12345678
(Heckel Tavares, Joracy Camargo)

Adeus Guacyra meu pedacinho de terra
Meu pé de serra
Que nem Deus sabe onde está
Adeus Guacyra onde a lua pequenina
Não encontra na colina
Nem um lago pra se olhar
Eu vou me embora
Mas eu volto nestes dias
Virgem Maria tudo há de permitir
E se ela não quizer
Eu vou morrer cheio de fé,
Pensando em ti


O Pidido 3’24 GRA12345678
(Elomar)

Já qui tu vai lá prá fêra
Traga di lá para mim
Agua da fulô que chera
Um nuvelo e um carrim
Trais um pacote de misse
Meu amigo ah se tu visse
Aquele cego cantadô!
Um dia ele me disse
Jogando um mote de amô
Que eu havera de vivê
Pur esse mundo
E morrê ainda em flô

Passa naquela barraca
Daquela mulé reizera
Onde almoçamo paca
Panelada e frigidera
Inté você disse ua loa
Gabano a boia boa
Que das casa da cidade
Aquela era a primera
Trais pra mim uas brevidade
Qui eu quero mata a sôdade
Faz tempo qui fui na fêra
Ai sôdade...

Apois sim vê se num isquece
Quinda nessa lua cheia
Nos vai brincá na quermesse
Lá no Riacho d'Arêa
Na casa daquele home
Feitecero e curadô
Que o dia intero é home
Filho de Nosso Sinhô
Mas depois da meia noite
É lubisome cumedô
Dos pagão que as mãe esqueceu
Do batismo salvadô
E tem mais dois garrafão
Com dois canguin responsadô

Apois sim vê se num isquece
De trazê ruge e carmim
Ah se o dinheiro desse!
Eu quiria um trancilin
E mais treis metro de chita
Que é preu fazê um vistido
E ficá bem mais bonita
Qui Madô de Juca Dido
Qui Zefa de Iô Joaquim

Já que tu vai lá prá fêra
Meu amigo trais
Umas coisinhas para mim...


Catirina 3’00 GRA12345678
(Jararaca)

Catirina, cadê teu anelão?
Alfinete de ouro, correntão?
Catirina, cadê teu anelão?
Alfinete de ouro, correntão?

Catirina usava um trancelim
Uma saia rodada com babado
Punha oriza cheirosa no cabelo
E chamava atenção do povoado
E na feira, na festa onde ela estava
Todo povo a ela perguntava:
Catirina, cadê …

Catirina era filha lá da serra
E nasceu por detrás do chapadão
Onde ela chegava endoidava
Os caboclos vaqueiros do sertão
E cantando, sambando onde ela estava,
todo povo a ela perguntava:
Catirina, cadê …

Catirina batia no zabumba
E tocava viola e ganzá
Ela era o prazer, a alegria
No recanto, na vila, no arraiá
Já velhinha, por onde ela passava
Todo o povo, baixinho perguntava:
Catirina, cadê …


Amo-te Muito 4’13 GRA12345678
(João Chaves)

Amo-te muito como as flores amam
E o orvalho que infinito chora
Amo-te como o sabiá-de-praia
Ama a sanguina e deslumbrante aurora

Oh, não te esqueça
Quem te ama assim
Oh, não te esqueça
Nunca mais de mim (bis)

Amo-te muito como a onda a praia
A praia a onda que a vem beijar
Amo-te tanto como a branca pérola
Ama as entranhas do infinito mar
Oh, não te esqueça…

Amo-te muito como a brisa aos campos
Vão para a lua derramando luz
Amo-te tanto como ama o morro
E Cristo adora ardente a cruz
Oh, não te esqueça…


Casamento 2’43 GRA12345678
(Teca Calazans, Ricardo Vilas)

Faz quinze dias que acabei meu casamento
Havia muito que o nosso amor foi embora (bis)
Tão cedo agora, não quero mais namorado
O que eu dei, não quero nada, (bis)
E a aliança jogue fora

Tanto tempo eu andei longe
Tropeçando e procurando
Em todo lado te encontrar
Hoje já não corro e vejo
Que a maré não anda boa
Teu amor faz machucar
Com o tempo tudo passa
Tanto a dor quanto a desgraça
Fique descansado
Moreno como é que eu posso
Me afastar de quem eu gosto
Um dia desse eu volto


Falando ao seu retrato 2’50 GRA12345678
(Meira, DeChocolate)

Na ilusão de um novo amor
Deixas-te o nosso lar
Enquanto louca sonhadora
Busquei-te sem cessar
Voltando ao lar abandonado
Apaixonada eu juro sem querer chorei
E ao ver o seu retrato amado
Num desvario louco
Tudo lhe falei
Contei-lhe então que tu partiste
Me deixando triste na desilusão
E o retrato amigo
Disse a chorar comigo
Que tu não tens mais coração
Formoso o teu retrato insiste
Em me fazer mais triste
Nesta solidão
Dizendo que o meu peito
Em dor vive desfeito
Porque não tens mais coração.


Minha Saudade 3’13 GRA12345678
(Laurindo de Almeida)

Sinto uma saudade de você
E do rancho de sapê
Minha viola não mais geme
Que maldade!
Choro tristemente esta saudade

Meu Deus quero a minha liberdade
Estou farta da cidade
Quero a lua e o meu sapê
Quero conviver com a natureza
Quero frente tal beleza
Ser menor que não sei que …
Quero rever minha jangada
Meu cavalo pela estrada
Meu sonoro violão
E o caboclo que eu amo
E não esqueço
Então darei descanso ao coração



No Tronco da Amendoeira 3’32 GRA12345678
(Patricio Teixeira)

No tronco da amendoeira, tem
Seu nome gravado, tem
O dia marcado, Oi
Que eu te encontrei meu bem

É sob a Amendoeira
Que me esperas todo dia
Quando a tarde vai caindo
Ao soar da Ave Maria
Minha alegria é te ver
Sempre a meu lado
Debaixo da Amendoeira
Como eterno namorado


Chequerê 3’12 GRA12345678
(Sinhô)

Não calculas como sofre
O meu pobre coração
Por faltar o teu carinho
Junto de meu violão

E assim é tudo enfim
Meu doce chequerê
Mas eu não me conformo
Viver longe de você

Vem depressa sem demora
Pra eu não mais viver em vão
Que as saudades já são tantas
Dentro do meu coração


Violeiro triste 4’08 GRA12345678
(Alvarenga e Ranchinho)

Canta, canta bentivi
Pra mim ouvir
Canta, canta sabiá
Pra me consolá
Que a tristeza e a sodade
Tão me fazendo chorar

Tem uma viola
Que nas noite de luar
Quando pego a pontear
Chora inté os passarinhos
E quando a lua, lá no céu
Me vê sozinho
Põe a sua luz prateada
Clareando o meu ranchinho

Canta, canta bentivi
Pra mim ouvir
Canta, canta sabiá
Pra me consolá
Que a tristeza e a sodade
Tão me fazendo chorar

Aqui na mata
Tenho tudo que eu quero
Tenho o canto do bodero
Tenho o céu e a natureza
E quando a lua vem saindo
Que beleza
Só me falta um amor
Pra matar minha tristeza


A Secretária do Diabo 2’16 GRA12345678
(Oswaldo Oliveira, Reinaldo Costa)

O diabo quando não vem
Manda o secretário
Eu não vou nessa canoa
Que eu não sou otário

Eu reconheço que ela é muito boa
Mas não vou nessa canoa
Que dá confusão
Quando ela passa
Provocando um desafio
Sinto logo um arrepio
No meu coração.
Não vou na onda
Nem no conto do vigário
O diabo quando não vem
Manda sempre um secretário.

O diabo quando não vem…

Quando ela chega na repartição
É aquele rebuliço
É aquela confusão
Dá um sorriso e se senta na cadeira
Mas de uma tal maneira
Que eu vou te contar
Não vou na onda
Nem no conto do vigário
O diabo quando não vem
Manda sempre um secretário.